terça-feira, 22 de maio de 2012

O Coque como referência:: Rosemberg Pinheiro

O combate a pobreza tem sido pelo menos no discurso, política estratégica dos recentes governos brasileiros. Iniciado com alguns programas ainda no governo FHC e potencializados como novos paradigmas de cidadania pelos governos Petistas, essas politicas, tem garantido saldos eleitorais históricos nas regiões mais pobres do pais sendo também,marcados pela forma quase sempre, clientelista na sua aplicação. Não é novidade alguma que pobreza, sempre foi algo explorado politicamente no Brasil e transformou na nossa breve historia políticos em mitos de bondade,os chamados pais dos pobres.

A pobreza é algo que pessoalmente, me marcou durante toda a infância e parte da juventude, morador da cidade de Recife tive a oportunidade, embora ainda pequeno de conhecer nos anos 60, a famosa favela do COQUE, já temida na ocasião por concentrar como se falava na época, maloqueiros e gente brigona. Era no Coque, que meu pai, visitava como membro do antigo PCB, algumas bases operarias e me levava junto, lembro-me das casas chamadas mocambos e palafitas que depois lendo Josué de Castro pude entender a sua tese, sobre o circulo do caranguejo. Lembro-me do espanto de menino nas primeiras visitas, ao ver aquela situação de carência mais lembro depois, da alegria de brincar com meus amigos do COQUE enquanto meu pai fazia umas reuniões meio silenciosas com os seus pais e alguns outros convidados.

Nessa época, lembro também do meu pai, levando o Miguel Arraes para visitar o COQUE e da alegria daquela gente humilde com a inauguração de chafarizes para abastecer a população de agua potável, o que na verdade, lhe garantiu naquela área uma votação esmagadora para prefeito de Recife na ocasião.

Em 1964 meus lanços com Recife e o COQUE foram alterados, o golpe militar transformara meu pai em um perseguido e sem entender bem as coisas, abandonei junto com a família a minha Cidade, vindo morar no Rio de Janeiro. Cidade que aprendi a adorar. E onde nasceram meus queridos filhos.

No final da década de 70, agora já um militante do antigo PCB honrando a tradição e a historia paterna na época aluno da UFRJ, ao invés de atuar no movimento estudantil optei pelo movimento popular das Associações de Moradores, na época fui eleito o presidente da Associação dos Moradores da Pavuna, tradicional bairro da Zona Norte do Rio, lembrado por Almirante em seus depoimentos musicais. Posteriormente, vim a ser diretor da Federação das Associações de Moradores do Estado do Rio de Janeiro (FAMERJ) Nessa época, tive oportunidade de visitar inúmeras comunidades carentes e contribuir para a fundação de dezenas de Associações de Moradores pelo Rio a fora, e em cada um deles, via um pouco do velho COQUE.

Em 2005 resolvi fazer uma viajem especial ao Recife para lembrar os Carnavais na memória de Capiba, Nelson Ferreira, Claudionor Germano, Os Blocos, Troças e Caboclinhos coisa que só o pernambucano sabe como é bom, e meio clandestino, queria ver o COQUE,  para me informar, procurei a prefeitura local e pude ver atraves dos dados que o COQUE, agora se tornara um aglomerado com um dos IDH, mais baixos do país e com os mais altos índices de violência da Cidade, ou seja, o COQUE apesar dos governos, não mudara e na verdade  se alastraram em profusão os seus maloqueiros e brigões.

Em 2009 Voltei a Recife para participar do um congresso e ao buscar novas informação sobre o COQUE, descobri que a exemplo dos complexos cariocas o Coque, concentrava um forte reduto de distribuição e venda de drogas e continuava com seus altos índices de pobreza, mortalidade infantil violência e mais ainda, é onde os politicos clientelistas sejam de “esquerda” ou de direita , conquistam a cada ano, repetidas vitorias eleitorais.

Passado tantos anos o COQUE apesar de inumeros programas projetos e promessas, segue “crescendo” e batendo seus próprios recordes de desigualdes socioeconômicas, servindo de referencia para entidades internacionais e elegendo a cada ano os seus vereadores, seus deputados, seus governadores, seus senadores e seus Presidentes.

Rosemberg de Araújo Pinheiro, Mestre em Saúde Coletiva/UFRJ. Diretor Adjunto da Faculdade de Medicina da UFRJ

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Lembranças:: Rosemberg de Araujo Pinheiro



Nasci em Recife, Pernambuco em 1953. Vivo no Rio de Janeiro, desde maio de 1965, tinha 11 anos de idade. O que provocou essa minha vinda para o Rio de Janeiro, foi o Golpe Militar de 1964. O meu falecido pai, Américo Pinheiro, na época, dirigente do Partido Comunista Brasileiro, em Recife teve que deixar a cidade, como tantos outros, clandestinamente, fugindo da forte repressão que se abateu sobre os militantes de esquerda, naquele estado, em especial aos militantes do antigo PCB.

Lembro-me de uma imagem que me ficou marcada: dos livros e documentos do partido sendo queimados, no quintal de casa, pela minha irmã mais velha, para que não houvesse pistas.

Apesar de muito jovem, naquela, época, conheci vários amigos, lideranças políticas, históricas, companheiros do meu pai, que freqüentaram nossa casa, na Rua Imperial, bairro de São José. Entre ele estavam Miguel Arraes, Luiz Carlos Prestes, Gregorio Bezerra, Gildo Guerra, o poeta Ascênsio Ferreira, Joacir Castro, Gilvan Cavalcanti, Graziela, Adalgisa Cavalcante, Carlos Duarte, Pelopidas da Silveira, Luiz Mendonça, José Leite, Davi Capristano, Hiran Pereira, os dois últimos, marcantes figuras que meu pai lembrava com carinho, desaparecidos de forma covarde.

Recordo-me, também, do pessoal do Serviço Social Contra o Mocambo projeto do governo Arraes, o qual meu pai era ligado, das aulas que minha irmã dava, de alfabetização, para trabalhadores, pelo método Paulo Freire, no bairro pobre do Coque. Do Movimento de Cultura Popular e da peça Incelênça que assisti no Teatro Santa Izabel.

Lembro-me, também, de um encontro no teatro do Parque, quando foi homenageada a mãe de Guevara. Lembro-me das campanhas de Cid Sampaio e Miguel Arrais e das caminhadas entusiasmadas que meu pai organizava pelas ruas de São José.

O governo militar interferiu na minha trajetória de vida, ao mesmo tempo, em que me fez amadurecer com a clandestinidade que fui obrigado a conviver, ainda, menino, sempre com receio que meu querido pai caísse na mão dos militares. O partido foi fundamental para minha formação enquanto cidadão.

Em minha casa, no Rio, na época, localizada no bairro de Anchieta, onde vivia clandestinamente, o meu pai junto com a família, era abrigo do jornal, também clandestino, do Partido, chamado Voz Operaria. Era deixado, mensalmente, pelo Ivo Valença, antigo quadro do partido, já falecido. Posteriormente, o jornal era recolhido e distribuído para todo o país.

Meu pai usava um nome fictício para circular e conviver no bairro. Passavam por lá às vezes o Amaro Valentim e o Osório, um velho líder portuário. Nesses encontros, faziam, juntos, as tradicionais avaliações de conjuntura.

Através dessas lembranças, sinto como o partido foi fundamental para minha formação e a melhor das heranças. Meu nome Rosemberg é uma homenagem ao casal alemão Rosemberg condenados a morte em 1953, acusados de espionagem pró União Soviética, As minhas irmãs chamam-se Olga, Anita Leocádia e Lenina. Hoje somos defensores da democracia como valor universal.

sábado, 19 de maio de 2012

SAUDE PÚBLICA EM CRISE


Compromissos e desafios

Rosemberg Pinheiro
Diretor Adjunto de Administração da Faculdade de Medicina da UFRJ
Especialista em Saúde Publica ENSP/FIOCRUZ
Mestre em Planejamento e Gestão IESC/UFRJ 

   

A implementação de novas práticas e instrumentos de gestão afinados às constantes inovações tecnológicas e integrados às novas necessidades da sociedade, cada dia mais consciente e exigente nos seus pleitos e necessidades, é o desafio posto ao gestor público do século XXI.

A produção de serviços com mais qualidade e melhor custo, efetividade, burocracia mínima e ágil, recursos humanos eficientes profissionalizados e comprometidos com metas, orçamentos descentralizados compatíveis com as reais necessidades da gestão, transparência, combate permanente às praticas de corrupção, rompimento com as práticas patrimonialistas e paternalistas são ações que podem contribuir para a melhoria da gestão pública.

No nosso caso, nesses nove meses de trabalho junto à Faculdade de Medicina, estamos pondo em prática ações concretas e determinadas, na perspectiva de um novo ciclo de gestão, que esperamos aperfeiçoar gradativamente enfrentando as resistências naturais de percurso que vêm sendo trabalhadas, ao mesmo tempo com cada nova ação, num exercício permanente de dar velocidade aos processos e intervenções e implementá-los de acordo com as nossas reais possibilidades, notadamente dificultadas pelas deficiências de recursos humanos.  

A nossa estratégia tem como meta buscar da forma mais eficiente possível atender e satisfazer a nossa clientela interna e prioritária, formada pelos nossos Professores e Alunos, nas suas necessidades gerais e especificas. Portanto, a nossa missão, enquanto gerente, é oferecer todos os meios possíveis para que a plenitude acadêmica aconteça e seja incorporada pelo conjunto da faculdade como cultura institucional, para transformação permanente de nossas práticas burocráticas e profissionais visando o ensino de qualidade.

Para a concretização dessa meta, temos que enfrentar um desafio que consideramos crucial, pois entendemos que para se realizar uma gestão eficiente e resolutiva é necessário reformular os conceitos e as práticas de recursos humanos no setor público. E, especialmente com urgência entre nós, consideramos que o atual modelo está esgotado e não satisfaz mais aos anseios e compromissos com a sociedade,  às suas necessidades e direitos e, paradoxalmente, tem servido — com freqüência — a interesses particulares de indivíduos públicos em detrimento do coletivo.

“para se realizar uma gestão eficiente e resolutiva é necessário reformular os conceitos e as práticas de recursos humanos no setor público”

Essas deformações são responsáveis em grande parte pela crise do modelo público assistencial de saúde e de educação pública, nos quais estamos inseridos e que são evidenciados, notadamente, pelas dificuldades que enfrentamos hoje junto ao nosso hospital universitário — que atualmente convive com as incertezas e os conflitos de sua própria identidade, como referência para o ensino médico no país —, numa crise para a qual não vemos saída sem o rompimento com o tradicional modelo perdulário de gestão e sem a experimentação de alternativas inovadoras que ofereçam a oportunidade de se construir um novo conceito de hospital universitário, moderno e sintonizado com as inovações tecnológicas e acadêmicas do primeiro mundo.  

Entretanto, as mudanças nos modelos de gestão no setor público enfrentam muitas dificuldades e resistências, principalmente nos campos políticos e ideológicos, pela própria tradição histórica do nosso Estado paternalista e grande empregador da sociedade.  

Precisamos, definitivamente, fugir da improvisação do amadorismo e corporativismo que caracterizam os atuais modelos de gestão pública, precisamos de gestores profissionais com autonomia e capacidade, que sejam criativos e estejam preparados para utilizar as ferramentas das inovações tecnológicas, desenvolver metas, resolver problemas, dirimir conflitos e intermediar interesses coletivos.

“precisamos de gestores profissionais com autonomia e capacidade, que sejam criativos e estejam preparados para utilizar as ferramentas das inovações tecnológicas, desenvolver metas, resolver problemas, dirimir conflitos e intermediar interesses coletivos”

 Precisamos criar um RH público de novo tipo, para enfrentarmos os novos e irreversíveis desafios, visando a nossa definitiva inserção no primeiro mundo da gestão e em suas boas práticas. Precisamos ter a atenção voltada para as questões de custos, produzindo cada vez melhor com menor custo; porque o desperdício é, na verdade, uma tragédia gerencial, que confirma a baixa qualidade e a falta de compromisso com a coisa pública — o que também onera o conjunto da sociedade. 

Precisamos construir compromissos coletivos e pactos de gestão para enfrentarmos as múltiplas dimensões do atual modelo patrimonialista e burocrático, com o qual ainda convivemos, e praticar um modelo de administração pública voltado para a eficiência, a eficácia e a efetividade, com foco em resultados.

“praticar um modelo de administração pública voltado para a eficiência, a eficácia e a efetividade, com foco em resultados”

 PREFEITO VETA LIVRO OLINE


Uma ordem do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), para que um livro que discorre sobre tratamento a usuários de drogas não fosse mais oferecido para download em um site mantido por funcionários da Coordenação de Saúde Mental, programa da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, gerou protestos entre profissionais de saúde. A possibilidade de download do livro desapareceu do site ligado ao programa municipal depois que um jornal do Rio publicou reportagem questionando o conteúdo da obra.
"Toxicomanias: incidências clínicas e socioantropológicas", publicado em 2009 pelo Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas (Cetad) da Universidade Federal da Bahia (UFBA), reúne artigos de vários especialistas e foi organizado por Antonio Nery Filho, Edward Macrae, Luiz Alberto Tavares e Marlize Rêgo. Um dos artigos, intitulado "A nova Lei de Drogas e o usuário: a emergência de uma política pautada na prevenção, na redução de danos, na assistência e na reinserção social", discute as leis sobre uso de drogas em diversos países e defende mudanças na legislação brasileira. É abordada a possibilidade de o usuário plantar maconha em casa, para consumo próprio. Ao ser informado sobre o conteúdo do livro, na última sexta-feira, Eduardo Paes determinou que a menção à obra fosse excluída do site.
Uma nota emitida por 24 entidades, entre elas o Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro, a Comissão Nacional de Direitos Humanos do Conselho Federal de Psicologia, o Grupo Tortura Nunca Mais, a Associação de Juízes para a Democracia, o Centro Teatro do Oprimido e o Centro Brasileiro de Políticas sobre Drogas, defende o livro, critica a atitude do prefeito e pede que a obra volte a constar do site.
Os organizadores do livro também se manifestaram, afirmando que "longe de fazer apologia ou indicação de consumo de qualquer droga, o artigo se debruça sobre uma política de descriminalização do usuário de drogas, em favor da vida e pela reafirmação de uma política de redução de danos". Até a noite desta quarta-feira, o livro não havia sido reinserido no site.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

ESTAMOS EM FASE DE MONTAGEM DO BLOG